Vacinas protegem contra doenças que podem ser graves e fazem parte dos cuidados de saúde em todas as fases da vida. Mas, junto com as vacinas, também circulam muitas informações incorretas nas redes sociais.
Por isso, antes de acreditar ou compartilhar uma informação, vale perguntar: qual é a fonte?
Confira dez dúvidas frequentes sobre vacinação.
1. Se a BCG não deixar cicatriz, significa que a vacina não funcionou?
Mito.
A BCG costuma deixar uma pequena cicatriz no local da aplicação, mas a ausência da cicatriz não significa que a vacina não tenha oferecido proteção.
Por isso, não é necessário revacinar a criança apenas porque a cicatriz não apareceu.
Cicatriz é uma reação esperada. Não é um "teste" de proteção.
2. A vacina contra rotavírus pode causar alergia ao leite de vaca?
Mito.
A vacina contra rotavírus não contém proteína do leite de vaca em sua composição e não há evidências científicas de que ela cause ou desencadeie alergia à proteína do leite de vaca (APLV).
A vacinação acontece justamente em uma fase da vida em que a APLV também pode começar a ser identificada. Por isso, às vezes, o aparecimento dos sintomas após a vacinação pode criar uma falsa impressão de que existe uma relação entre os dois acontecimentos.
Acontecer depois não significa ter sido causado pela vacina.
3. É melhor pegar a doença do que tomar a vacina?
Mito.
A infecção natural pode produzir uma resposta imunológica, mas também pode trazer o risco de complicações.
Doenças preveníveis por vacinas podem causar internações, sequelas e até mortes.
A vacinação permite estimular o sistema imunológico sem que seja necessário enfrentar os riscos da própria doença.
Para se proteger de uma doença, não é preciso primeiro ter a doença.
4. As vacinas podem causar problemas ou sequelas muitos anos depois?
Não há evidências de que as vacinas causem, de forma geral, sequelas tardias.
Como qualquer medicamento, as vacinas podem causar eventos adversos. A maioria é leve e passageira, como dor no local da aplicação, febre ou mal-estar. Eventos graves são raros e são continuamente monitorados.
Antes de serem disponibilizadas, as vacinas passam por estudos de segurança e eficácia e continuam sendo acompanhadas depois que entram em uso.
Segurança também significa monitorar continuamente.
5. Tomar várias vacinas no mesmo dia sobrecarrega o organismo?
Mito.
A aplicação de diferentes vacinas na mesma visita é considerada segura e não sobrecarrega o sistema imunológico.
Quando indicada pelo calendário de vacinação, essa estratégia também facilita a atualização da caderneta e evita que doses importantes sejam adiadas.
Mais de uma vacina no mesmo dia não significa excesso de proteção.
6. O alumínio presente em algumas vacinas faz mal à saúde?
Mito.
Algumas vacinas utilizam sais de alumínio como adjuvantes. Eles ajudam a estimular uma resposta imunológica mais eficiente e duradoura.
Esses componentes são utilizados em pequenas quantidades e sua segurança é continuamente estudada.
As evidências disponíveis não mostram que o alumínio utilizado nas vacinas cause problemas graves de saúde ou autismo.
A presença de um componente não significa que ele seja prejudicial na quantidade utilizada.
7. O mercúrio presente em algumas vacinas faz mal à saúde?
É preciso entender qual substância estamos falando.
Algumas vacinas apresentadas em frascos multidose podem conter timerosal, um conservante que contém uma forma de mercúrio e ajuda a evitar a contaminação do frasco.
Ele é utilizado em pequenas quantidades e é continuamente estudado quanto à sua segurança.
As evidências disponíveis não demonstram relação entre timerosal e autismo.
Informação sobre vacinas precisa considerar a substância, a quantidade utilizada e as evidências científicas.
8. Vacinas podem causar autismo?
Não.
Essa é uma dúvida que ainda aparece com frequência, mas as evidências científicas mais atuais não mostram relação entre vacinas e autismo.
Uma análise recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou estudos publicados entre 2010 e 2025, realizados em diferentes países e com grandes populações. A conclusão foi clara: não existe relação causal entre vacinas e transtorno do espectro autista (TEA).
A análise também avaliou especificamente vacinas que contêm alumínio ou timerosal e não encontrou evidências de que esses componentes causem autismo.
Vacinas não causam autismo.
9. A vacina contra a gripe causa gripe?
Mito.
A vacina contra influenza utilizada na rotina é inativada e não consegue causar gripe.
Após a vacinação, algumas pessoas podem apresentar dor no local da aplicação, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular ou febre baixa. Essas reações são diferentes da gripe causada pelo vírus influenza.
Vacina contra gripe não causa gripe.
10. Gestantes não devem tomar vacinas?
Mito.
A gestação não significa que a mulher deva ficar sem vacinação.
Algumas vacinas são especialmente importantes durante a gravidez, como as vacinas contra influenza, difteria, tétano e coqueluche e contra bronquiolite, além de outras que podem ser indicadas conforme a situação individual.
A vacinação pode proteger a gestante e também contribuir para a proteção do bebê, inclusive pela transferência de anticorpos durante a gestação.
Por outro lado, algumas vacinas de vírus vivos atenuados são contraindicadas durante a gravidez. Por isso, a vacinação deve seguir o calendário e a orientação do profissional que acompanha a gestação.
Na gestação, informação e orientação profissional caminham juntas.
Para guardar
Vacinas são uma das formas mais importantes de prevenção de doenças.
Antes de acreditar ou compartilhar uma informação sobre vacinação, procure a fonte e converse com um profissional de saúde.
Porque, quando o assunto é saúde, informação confiável também é uma forma de cuidado.