Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento. Mas observar, acompanhar e conversar com o pediatra diante de uma dúvida pode fazer toda a diferença.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que envolve, principalmente, diferenças na comunicação e na interação social, além da presença de comportamentos ou interesses restritos e repetitivos.

Os primeiros sinais podem aparecer ainda nos primeiros anos de vida. Em muitos casos, eles são percebidos entre 12 e 24 meses, mas a apresentação pode variar bastante de uma criança para outra.

Por isso, mais importante do que procurar um único comportamento é observar como a criança se comunica, brinca, interage e se desenvolve ao longo do tempo.

1. Pouco contato visual e pouca troca de sorrisos

O bebê normalmente busca o rosto das pessoas, responde às interações e demonstra prazer em compartilhar momentos com quem cuida dele.

Pouco contato visual, pouca troca de expressões ou pouca resposta às interações sociais podem ser sinais que merecem ser observados, principalmente quando persistem ao longo do desenvolvimento.

Olhar, sorrir e compartilhar são formas importantes de comunicação.

2. Não responder quando é chamado pelo nome

À medida que cresce, a criança começa a reconhecer quando alguém chama seu nome e costuma responder olhando, fazendo algum gesto ou se aproximando.

Não responder ao próprio nome de forma consistente, especialmente a partir do primeiro ano de vida, pode ser um sinal de alerta. É importante, porém, verificar também questões relacionadas à audição e outros aspectos do desenvolvimento.

Quando chamamos pelo nome, esperamos uma resposta — não necessariamente uma palavra.

3. Poucos gestos para se comunicar

Apontar, acenar, mandar beijo, mostrar um objeto ou estender os braços são formas de comunicação que aparecem antes mesmo da fala.

A ausência ou pouca utilização desses gestos pode merecer atenção. Por exemplo, algumas crianças não apontam para mostrar algo que despertou seu interesse ou não usam o gesto de "tchau" espontaneamente.

Comunicação começa muito antes das primeiras palavras.

4. Pouco interesse em compartilhar brincadeiras e descobertas

Uma criança pode brincar sozinha em alguns momentos — isso faz parte do desenvolvimento.

O que merece atenção é quando ela demonstra pouca intenção de compartilhar interesses, mostrar objetos, buscar a participação de outras pessoas ou participar de brincadeiras interativas.

Por exemplo: encontrar algo interessante e não olhar para o adulto para compartilhar aquela descoberta.

Brincar também é uma maneira de dizer: "olha isso comigo".

5. Brincadeiras repetitivas ou interesse muito restrito

Algumas crianças podem apresentar comportamentos repetitivos, como organizar objetos de maneira muito rígida, enfileirá-los, repetir determinados movimentos ou demonstrar grande interesse por partes específicas dos objetos.

Também pode existir uma necessidade intensa de manter determinadas rotinas e dificuldade diante de mudanças.

Esses comportamentos, isoladamente, não significam autismo. O contexto, a frequência e o impacto no desenvolvimento da criança precisam ser considerados.

O que importa não é um comportamento isolado, mas o conjunto de características.

6. Perda de habilidades que já havia adquirido

Este é um sinal que merece atenção especial.

Se a criança já falava algumas palavras, fazia determinados gestos, interagia de uma maneira e, depois, deixa de apresentar essas habilidades, é importante conversar com o pediatra o quanto antes.

A perda de habilidades adquiridas é um importante sinal de alerta e deve ser investigada.

Quando uma habilidade desaparece, não é hora de esperar para ver se volta. É hora de investigar.

E se meu filho apresentar um desses sinais?

Ter uma dessas características não significa que a criança tenha autismo.

Crianças podem apresentar comportamentos diferentes em determinadas fases do desenvolvimento, e algumas características podem estar relacionadas a outras condições ou simplesmente fazer parte da individualidade da criança.

O diagnóstico do TEA não é feito por um único sinal ou por um teste isolado. Ele depende de uma avaliação cuidadosa do desenvolvimento, da comunicação, da interação social e do comportamento da criança.

A SBP recomenda o acompanhamento do desenvolvimento e o rastreamento específico para TEA entre 18 e 24 meses, mesmo quando não existem sinais muito evidentes. A Academia Americana de Pediatria também recomenda rastreamento para autismo aos 18 e 24 meses, além da vigilância do desenvolvimento em todas as consultas de acompanhamento.

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Observe. Acompanhe. Converse.

Quanto mais cedo uma preocupação é identificada, mais cedo a criança pode ser avaliada e, quando necessário, receber o suporte adequado.

Não existe um único jeito de ser criança. Mas todo desenvolvimento merece ser acompanhado com atenção e carinho.

Na dúvida, converse com o pediatra.