Febre assusta. Mas, na maioria das vezes, não é motivo para pânico.
A febre é uma resposta natural do organismo diante de uma infecção. Ela faz parte da defesa do corpo e, sozinha, não significa que a criança esteja com uma doença grave.
O mais importante é observar a criança como um todo — e não apenas o número do termômetro.
1. O que é febre?
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), quando a temperatura é medida na axila, considera-se febre uma temperatura igual ou superior a 37,5 °C.
Para medir em casa, a SBP recomenda o uso de termômetro digital.
Além da temperatura, observe se a criança:
- está ativa e interagindo;
- aceita líquidos ou mama normalmente;
- mantém o apetite possível para o momento;
- brinca ou reage normalmente quando a febre diminui;
- apresenta outros sintomas.
Mais importante que o número do termômetro é saber como a criança está.
2. Febre alta significa doença grave?
Não necessariamente.
A temperatura, isoladamente, não determina a gravidade de uma infecção. Uma criança pode ter febre alta e continuar bem-disposta, enquanto outra pode estar bastante abatida com uma temperatura menor.
Não existe um número mágico que indique, sozinho, se a criança precisa ir ao hospital.
O estado geral e a evolução do quadro são fundamentais.
3. Quando dar antitérmico?
O antitérmico deve ser usado principalmente quando a febre causa desconforto à criança: irritabilidade, dor, choro, dificuldade para dormir ou redução importante das atividades.
Não é necessário medicar apenas para fazer a temperatura voltar ao normal.
O objetivo não é zerar a febre. É deixar a criança confortável.
Paracetamol, dipirona e ibuprofeno são alguns dos medicamentos utilizados para controlar a febre, mas a escolha e a dose devem considerar a idade, o peso e as condições de saúde da criança.
Não alterne ou associe antitérmicos por conta própria.
4. Preciso dar banho frio?
Não.
Banhos frios, álcool ou outras medidas para provocar uma queda rápida da temperatura não são recomendados. Podem causar tremores e aumentar o desconforto.
Prefira roupas leves, ambiente confortável e boa hidratação.
5. Febre em bebês pequenos merece atenção
Bebês menores de 3 meses com temperatura de 38 °C ou mais precisam de avaliação médica.
Quanto menor a idade, maior a necessidade de uma avaliação cuidadosa.
Em recém-nascidos e bebês menores de 30 dias, não espere a febre passar sozinha e procure atendimento médico o mais breve possível.
6. Febre alta causa convulsão?
Não.
A convulsão febril pode acontecer principalmente entre 6 meses e 5 anos, em crianças com predisposição genética.
Ela está relacionada à elevação da temperatura associada à predisposição individual da criança. Por isso, pode acontecer com diferentes temperaturas e não significa necessariamente que a febre esteja muito alta.
Na maioria das vezes, a convulsão febril é benigna e não significa que a criança tenha epilepsia.
Dar antitérmico não previne a convulsão febril.
Uma primeira convulsão deve ser avaliada por um médico.
7. Quando a febre merece atenção?
Procure avaliação médica se a criança estiver:
- muito abatida ou "molinha";
- excessivamente sonolenta ou difícil de acordar;
- muito irritada ou com choro persistente;
- sem conseguir mamar ou beber;
- com dificuldade para respirar;
- apresentando vômitos persistentes;
- com sinais de desidratação;
- com manchas na pele associadas à piora do estado geral;
- com dor intensa, rigidez na nuca, confusão ou convulsão;
- apresentando piora importante do estado geral.
Para guardar
Febre não é uma doença. É um sinal de que o organismo está reagindo.
Não é preciso ter medo de cada aumento de temperatura.
Meça. Observe. Hidrate. Conforte.
E, principalmente, olhe para a criança — não apenas para o termômetro.
Na dúvida, converse com o pediatra.