Amamentar e precisar de um medicamento é uma situação muito comum. E, na maioria das vezes, não é preciso escolher entre cuidar da própria saúde e continuar amamentando.
"Posso tomar dipirona?"
"E paracetamol?"
"Preciso parar de amamentar porque comecei um antidepressivo?"
Essas dúvidas são muito frequentes entre as mães — e não devem ser respondidas com base em opiniões, mensagens de internet ou apenas na bula do medicamento.
A boa notícia é que muitos medicamentos são compatíveis com a amamentação. Quando existe necessidade de tratamento, o mais importante é avaliar cada situação individualmente.
1. O remédio passa para o leite materno?
Algumas substâncias presentes nos medicamentos podem passar para o leite materno. Mas isso não significa, automaticamente, que o medicamento faça mal ao bebê.
A quantidade que chega ao leite pode variar bastante de acordo com o medicamento, a dose, a forma de administração e outras características.
Também é preciso considerar a idade do bebê, se nasceu prematuro e se apresenta alguma condição de saúde.
Passar para o leite não significa necessariamente ser incompatível com a amamentação.
2. Preciso parar de amamentar sempre que tomar um medicamento?
Não.
A interrupção da amamentação por causa de medicamentos deve ser indicada apenas quando realmente necessária.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a falta de informação sobre a segurança dos medicamentos pode levar muitas mulheres a interromperem a amamentação sem necessidade.
Por isso, antes de suspender as mamadas, converse com um profissional que conheça a relação entre medicamentos e aleitamento.
Não interrompa a amamentação por conta própria.
3. E se o medicamento foi prescrito por outro médico?
Mesmo que o medicamento tenha sido prescrito por outro especialista, informe que você está amamentando.
O profissional poderá avaliar se aquele medicamento é adequado, se existe uma alternativa mais apropriada ou se é necessário algum cuidado especial.
Se ainda houver dúvida, converse também com o pediatra que acompanha o bebê.
Toda decisão deve considerar mãe e bebê.
4. Onde posso buscar informação confiável?
O Ministério da Saúde disponibiliza o manual Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias, atualmente em sua 3ª edição revisada, publicada em 2025. A publicação reúne informações sobre medicamentos e outras substâncias que podem chegar ao leite materno e seus possíveis efeitos sobre o bebê e a lactação.
A Sociedade Brasileira de Pediatria também disponibiliza orientações sobre o tema e recomenda fontes específicas para consulta, incluindo o LactMed e o e-lactancia.
Essas ferramentas podem ajudar na busca de informações, mas não substituem uma avaliação individual.
5. Por que não devo me automedicar?
Porque "permitido na amamentação" não significa que determinado medicamento seja indicado para qualquer situação.
É preciso saber qual é o problema, qual medicamento será utilizado, em que dose, por quanto tempo e quem é o bebê que está sendo amamentado.
Além disso, alguns medicamentos podem interferir na produção de leite ou exigir cuidados específicos.
O medicamento certo é aquele indicado para a situação certa.
6. E os medicamentos para ansiedade e depressão?
Esse é um ponto importante.
Algumas mães acreditam que precisar de tratamento para ansiedade ou depressão significa necessariamente interromper a amamentação.
Mas isso não é verdade.
Existem medicamentos que podem ser utilizados durante a lactação, dependendo da avaliação individual. O tratamento da mãe também é importante para a saúde da família.
Cuidar da mãe também faz parte do cuidado com o bebê.
Antes de tomar um remédio, lembre-se
- ✔ Avise sempre que está amamentando.
- ✔ Não interrompa a amamentação por conta própria.
- ✔ Não se automedique.
- ✔ Procure informações em fontes confiáveis.
- ✔ Converse com o pediatra, obstetra ou profissional responsável pelo tratamento.
E uma informação importante: não existe uma lista simples de "remédios permitidos" e "remédios proibidos" que sirva para todas as mães e todos os bebês.
A segurança depende do medicamento e também das características da mãe e da criança.
Para guardar
Amamentar não significa ficar sem tratamento quando ele é necessário.
Na maioria das situações, é possível encontrar uma opção segura e adequada para cuidar da mãe e preservar o aleitamento.
Informação correta traz tranquilidade. E cuidado bem orientado protege os dois.
Na dúvida, converse com o profissional que acompanha você e seu bebê.